quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ritos do Prazer - Quinta sagração

Hino do cavaleiro diletante a suprema sacerdotisa
A Vós, Divina Carne, manifestada e mulher.
Ventre Sagrado, donde viemos e felizes voltaremos.
Fonte da Sabedoria, que nutre minha pena.
Toda Natureza Venerada, em abundante beleza.
Alimento Eterno, em seios tugidos.
Corpo do Universo, morada de toda existência.
Templo da Majestade,trono de toda nobreza.
Farol dos Caminhos, desencanto e deslumbre dos viajantes.
Razão das Profecias, ilumina e oculta esta saga.
Santidade da Luxúria, entrega gratuita da felicidade.
Autoridade do Prazer, consumação da lei da vida.
Portal da Arte, fenda entre colunas que convida.
Delicioso Desafio, profundidade perfumada e úmida.
Aceita e Acolhe!

Eis que este diletante ousa cometer imenso sacrilégio apresentando-se nú de méritos diante deste tão Santo Oficio.
Oh Mãe! Este vosso filho te deseja pede para entrar e integrar para ser todo vosso, eu, por inteiro, dentro de vós.
Eu pisei nas bolsas de ouro, arranquei as cascas culturais, cuspi nas secas hóstias e violentei o ídolo nú.
Por vossa graça e misericórdia, despertei para minha natureza, debochei das instituições, descartei as doutrinas humanas, desafiei a fúria dos sacerdotes.
Excluído, banido, exilado, vaguei por reinos sem fim sem que houvesse ajuda de um santo, anjo ou deus.
Cheguei na fronteira do mundo, avistei o oceano do abismo e a ilha do caos.
Nada mais restando a esse condenado, lancei-me no Vale das Sombras, tentando encontrar alívio ou fim.
Ao toque suave e macio da noite em tal formoso colo cheguei.
Com tuas mãos e vaga, colocaste meu entendimento em riste sorvendo-me em vossos magníficos mistérios.
Ísis é venerada por ser velada, mas Deusa Vós Sois Suprema pois cortas todos os argueiros e desnuda abole toda canga.
Tremei, vicários da santidade! Chorai, corretores da virtude! Fugi, falsos deuses patriarcais!
Nenhuma verdade prevalece a estes lábios, nenhum profeta descreve tal pele, nenhum vidente experimenta este êxtase, nenhum medianeiro suporta tal delicia.
Fiz de meu mastro Vosso estandarte e por truque desta pena eu abuso da arte.
Ousado, arrojado, revestido de gozo, por vosso nome nasce o profeta da carne e por vossa sabedoria cresce o filosofo da Treva.
Não podendo me conter, excitado, explodo, rededicando este mundo em ondas de prazer àquela que me é mais cara, a grande e amada alma, Maya!
Hino da suprema sacerdotisa ao cavaleiro diletante
A ti meu cavaleiro e a alma majestosa que em ti reside.
A ti meu guerreiro, louvo, canto, vibro. Maravilhoso ser, que transborda energia.
Minha vontade é única, estar em ti, contigo.
Todo poder está em ti, emana, derrama, deita, o que em ti abunda.
Estou a te esperar, vem meu vingador, tu reinas sobre mim.
Meu corpo é teu templo bem sabe que irá sagrá-lo.
Nada me pedes que não possa dar-te, eu só quero, por direito, o que me for doado.
Verta todo teu leite, amo-te meu devoto, não sabes como é precioso.
Sempre o amei e amarei, sou-te então, possua-me, pois é teu por direito.
Minha alcova quente tem tua marca há tempos, tudo farei para que reines e teu reino sobreviva a tudo.
Único ser em mim, ao qual dedico meus pensamentos, o que tem o que sempre quis, o que sempre amei e amo, tudo que quero está em ti.
Tenho uma saudade uterina, um desejo de ti, latente.
Vamos nos ensinar nos lençóis, no chão, no campo, onde tu quiser, será.
Não ouço um sino tinir, sem que tu o tenha feito vibrar, tuas ondas chegam a mim pela melhor forma, pela alma, reverbera, tine, ressoa, em meio a minhas colunas que sustentam meu santuário e este corpo deságua, brota de prazer por ti.
Não há dia que acorde e sinta-o em mim, sou-te, rasga-me, imploro novamente.
Eu queria ser por ti, o que tens sido para mim, confesso sem tortura.
Maior é esta que impõe, de sabê-lo sem tê-lo.
Rogo à Deusa, que me de ciência para te merecer.
Está em mim teu ser, esqueço de meus princípios, louca para tê-lo num instante. Prazer e gozo eternos, meu mais completo alimento.
Grande monta tenho, por teu sangue e leite, pois disso preciso mais do que tu da vida.
A minha vida está em ti, a felicidade que me dá, é maior que tudo isso.
Sensibilidade espiritual, pelo método do prazer carnal, há de chegar lá, queiras tu comigo.
Haverá de doer um tanto, necessário abrir mão de algo, saiba que existe prazer na dor.
Todo meu tesão e néctar, deixo para que te delicies.
A poesia é estandarte, use-a, esta nos é dada e nos reaproxima.
Traga tua essência, depõe sobre meu santuário.
O que a ti é precioso, profundo e profuso, flui em mim a tua vida, que a muitos somos um.
Vivia sem depender de alguém, eu nunca fui presa, mas busco o que perdi.
Quando me levanto, não te acho a meu lado, mas sempre hão de te achar, pois continuo contigo em mim.
Um dia adentrei os portais e tu veio me fortalecer, ofereceu força para a batalha.
Eu deixo que tua pessoa viva por e para mim. Venha em meu templo, há que nele acender o archote.
Prenda minhas mãos, adorne teu pescoço, levanta-me ao colo, põe sobre mim.
Só ouça o instinto que brada e ecoa em ti.
Nossos corpos atamos, deitaste-me e possuiu-me.
Eu te disse ao ouvido sorva do cálice que meu corpo o é.
Sentir-te dentro de mim, foi um milhão de espetadas.
Ao fogo nós atiramos, algumas gotas de nossa seiva, foi feito o contrato e aceito tal pacto, selado com nosso gozo.
Com ou sem donzelas, vou devorá-lo assim mesmo, não te é licito pertencer a só uma.
Néctar por néctar, havemos de nos fartar.
A noite virá e tudo estará feito, minha voz se cala ante a tua, continuo sedenta de ti.
Meu corpo pede o espectro, este que amo profundamente, eu não teria gozo algum se não tê-lo em mim a ele, este espirito que vive em mim, habita meus pensamentos, os sonhos e delírios.
Que mais posso fazer senão amá-lo, com toda pureza que reside em nós e pedir para poder saber e ter a vida em meus lençóis.
Hino dos deuses ao cavaleiro diletante
Filho amado e querido! Aquele que não esmorece na dificuldade, nem esnoba na conquista.
Aquele que, sem medo trilha, tanto pelo Monte do Sol, quanto pelo Vale da Sombra.
Concebido da melhor estirpe, temperado com os melhores essências.
Seja gentil com os simplórios, a paixão deve ser seu escudo e o amor a sua espada.
Continue apoiando ao Lobo e dando orgulho à Deusa.
Seja em ação ou pensamento, derrube as barreiras deste mundo, desencante os totens do sagrado e a toda criatura consciente faça conhecer a lei!
Que a carne prevaleça, sobre todo dogma ilusório e que a consciência vença toda a opressão sacerdotal
Hino dos deuses à suprema sacerdotisa
Magnifica e formosa senhora, em cujo templo guarda os mistérios e em tais colunas moram os ritos.
Em tuas mãos confiamos o bravo e por teus lábios vive o cavaleiro.
A sua pele macia venceu os mártires, o seu cabelo desbaratou os profetas e seus pés calcam os dogmas.
Manifestação carnal e majestosa, vigie pela sanidade deste mundo e conduza os andarilhos pela arte.
O teu Jardim das Delicias esteja sempre aberto e pronto para nutrir e honrar aos diletantes da lei.
Fonte abundante e eterna, sacie a sede dos buscadores e satisfaça a fome dos brutos.
Propicie sempre, plenamente, àqueles que buscam em um fantasma, o que somente se encontra na carne.
Cubra esta obra com seu suor e a consagre com seu prazer.
Hino do cavaleiro diletante aos deuses
Errante, passei por léguas, sem conhecer o calor de um lar, nem o conforto de uma família.
Nunca me dobrei a deus algum, mas algo há na Deusa contra o que não resisto.
Para conquistar a fortuna, eu sai de minha choça rumo à grandiosidade.
Em muitas vilas fui recebido ora herói, ora louco, ora santo, ora danado.
Ao descansar a arma dentro do santuário sagrado, pela sacerdotisa pude ver a linha de edições anteriores e a seqüência da descendência.
Diante da responsabilidade atual, eu desenganei as esperanças, pois cada qual teve sua chance e quebrei os modelos, pois cada qual terá sua oportunidade.
No período que me cabe, a meta está na Deusa.
Se servir a sua causa, ou satisfizer sua dama, em me contentar disso e carregar esta memória por onde quer que eu vá.
Hino da suprema sacerdotisa aos deuses
A todos os ancestrais humanos e a todos os geradores divinos, pelo toque da magia em meu corpo, eu clamo e invoco, proteção!
Logo o Sol completa a jornada, cedo a Primavera acaba e rápido o Inverno avança.
Pelo brilho deste luar, reflexo do desejo perpetuado, lâmpada acesa pela lei, acolhe e guarde a humanidade.
Por onde quer que vá meu predileto, o sempre faça retornar a mim.
Nós dançamos em vossa memória, nós celebramos vosso festim, a terra foi semeada e regada, a semente brotou e cresceu, o fruto surgiu e madurou, nós observamos o ciclo e foi feita a sega e a colheita.
Quando as sombras da ignorância novamente cobrir e enevoar a terra, resguardem no ventre da Grande Mãe, meu cavaleiro e eu.
Despedida
Acenemos para Apolo, que em seu carro passou, percorreu por toda a terra e às colunas do horizonte, o Rei Sol próximo se encontra.
Os que podem andar se vão, enquanto uns e outros se ajudam.
O sono a muitos pesa, mas não apaga o sorriso, escancarado e prazeroso.
Ali, esfolada e feliz, a colombina. Acolá, embriagado de prazer, o pierrô. Aqui, intoxicado de amor, o arlequim.
Os carnavalescos se esparramam e o bumbo da fanfarra furou de tanto dar no couro.
O Inverno e seu acoite vem, rimos diante da carranca hipócrita.
Ainda que se vergue a alma humana sob a ditadura da virtude, guardaremos em nós o visgo e por mais que dure a intolerância, haveremos de sempre celebrar aos deuses.

Ritos do Prazer - Quarta sagração

Hino do Cordeiro ao Leão
Bom e querido amigo! Enfim posso em teus braços descansar, recarregar em teu leito, a força e a coragem.
Por tempos fui sufocado por uma armadura, pelo cargo de general, pelo oficio da batalha.
Buscando na guerra, esquecer essa paixão, o maior enganado era eu!
Cercando-me de louvores e adoração, provocando a discórdia e o preconceito, mas o pior admirador masculino é aquele que usa a máscara do macho.
Muitas ovelhas eu arrebanhei, mas apenas aos Apóstolos me aproximei.
Agora deixo o rebanho aos cuidados do Lobo e que os que me seguem que conquiste seu Leão.
Hino do Leão ao Cordeiro
Venha, sem demora! Não faz idéia da dor que a cada chamado ignorado tu me causavas ao coração.
Por tantas vezes me ofendia, dirigindo suas flechas ao invés de seus carinhos, perseguindo a minha gente, como se não fossemos irmãos!
Venha, para reavivar a paixão e que esse eterno amor possa servir de exemplo e as pessoas se lembrem das palavras do profeta da carne.
Toda existência é divina, é macho e fêmea, ambas e nenhuma.
Que os fanáticos descubram o verdadeiro sentido do amor que ensinaste:
Amor sem restrição, paixão sem forma, prazer sem culpa.
Hino dos deuses ao Cordeiro
Frágil e fraca criança! Por nossa imensa bondade nós mantivemos a lei, apesar de seus ávidos esforços.
Da fúria religiosa, protegemos a saúde do Leão e o futuro das criaturas.
Dispensamos pelo mundo o guarda e vingador máximo, o que entrega franca e livremente, a Lei da Vida a toda gente e, na forma do Lobo, resgata as ovelhas da ignorância.
Mas não é tempo e momento de julgamentos e condenações, este oficio é de tua estação, agora reina a Primavera!
Entre sem receio, misture-se na festa, brinde com seu Leão e sorria com o Lobo, alegre-se e viva!
Hino dos deuses ao Leão
Bendito seja, verdadeiro rei, aquele que lidera sem oprimir, o que toma a paixão por nobreza, o que faz do amor autoridade e põe o prazer no trono.
Bendito seja, amor manifestado, arrebatador, incondicional, divulgador e promotor da lei, entrega-se aos devotos mais amor que estes exprimem.
Lembre ao Cordeiro a verdade e mostre às ovelhas a forma, ao Lobo abra caça à castidade e aos Apóstolos proíba a homofobia.
Que a toda criatura, veja, sinta e desfrute a plenitude da Vida!
Hino do Cordeiro aos deuses
Anciões da Eternidade! O tempo do Inverno é pesada lembrança de meu cruel oficio.
Tudo que eu trouxe foi medo, ódio e guerra.
Por ser luminoso como vós, tornei tudo ao meu redor em sombras densas para destacar meu brilho, eis meu orgulho e vaidade!
Quis converter a todos e, para disfarçar meus defeitos, impus aos crentes ordem e disciplina.
Os cânticos me elogiam, os homens me clamam, eu sou o Messias.
Mas diante do Sol, mostro minha verdadeira face, eu sou a Estrela Dalva, a Estrela Vespertina.
Eu apenas sou um luzeiro, diante do fogo do Amor!
Hino do Leão aos deuses
Fraco eu sou também e indigno de uma coroa, feliz em receber amor, é imperativo distribuir.
Nada fiz de extraordinário, apenas segui a vontade natural.
Debaixo do Amor, estou sob as ordens do menor e rendido ao vencido.
Ainda que seja objeto de escárnio, eu sempre hei de amar o Cordeiro.
Nosso amor não enxerga diferença, somos ativos e passivos, vivemos nosso lado feminino para elogiar nosso lado masculino.
O macho é figura em extinção, todo herói sabe-o bem, mais coragem se exige em desafiar infundado preconceito.

Ritos do Prazer - Terceira sagração

Hino do Lobo às ovelhas
Venham todas, sem demora, mesmo a menor e tímida.
O pastor está morto, foi derrubada a trave do cercado.
Não temam explorar a pradaria, sintam o gosto do horizonte e a força da liberdade.
Eu as ensinarei estas coisas, de que fonte beber; de que fruto comer e todos os caminhos.
Conhecerão seus corpos e conhecerão o meu.
Poderão aproveitar a vida e saborear este festim.
Eu as farei tocar em seu intimo divino e as farei dançar em meu externo mundano.
Hino das ovelhas ao Lobo
Bom senhor e conhecedor, tenha calma e paciência, sabemos e sentimos sua verdade, mas ainda tememos e receamos!
Vivemos por muito tempo, vendo o mundo por uma fresta, suportando o peso da lei fria e recebendo um amor sem paixão.
Agora sabemos e percebemos, que possuímos corpo e desejo, que isso é natural e, portanto, divino.
Faça-nos conhecer, estes deuses da natureza, que bendiz e honra sua gente.
Queremos conhecer, o toque sagrado e, como as vestais, sermos inundadas.
Nos mostre como nos elevar e nos eleve em ti.
Aceitamos este acordo, tu te nutres de nós e nós nos completamos em ti.
Hino dos deuses às ovelhas
Não vos envergonheis! Mais vergonhoso foi o pastor que, fazendo papel de deus, as manteve em um curral!
Muitos são os gados, tanto quanto os feitores, mas mesmo o terrível juiz deve obedecer a lei!
Aquele que escreve a norma, põe a si mesmo sob juramento, mas a lei que não se escreve e, entretanto, é observada naturalmente, mais forte que o poder e o medo do castigo, esta é a lei do Universo.
Amor como nome, união como forma. Os deuses em carne existem, os humanos em espirito vivem.
Então, recebam as dádivas divinas e aproveitem as ofertas mundanas, nós nos fazemos presente em vós quando em vós se fizer presente o Lobo.
Hino dos deuses ao Lobo
Bom e fiel guerreiro! Tomai essas ovelhas e as conduza pelas pradarias. As alivie do remorso e evite o rancor.
O pastor é digno de esquecimento. Nós somos bem servidos, com sua força e língua, teu corpo satisfaz as deusas.
Você é a lei natural manifesta, seu nome é grande entre os homens e sua figura temida entre os deuses.
Por causa de seu vigor voluntário, pedimos um disfarce ao seu nome.
Não esmoreça na batalha, continue a espalhar a toda criatura consciente a Lei da Vida.
Que o seu membro seja o medianeiro ideal, entre a morada dos deuses e a morada dos homens!
Hino das ovelhas aos deuses
Bons e agradáveis deuses, que nos acolhem e aceitam, tal qual somos, naturalmente.
Não estigmatiza o que é puro, nem corrompe o que é virtuoso.
Estivemos tão longe da verdade e tão afastadas da realidade, que estranhamos nossa natureza, mas nos entregamos aos sentidos.
Pedimos para que nos amaciem, nos penetrem e nos invada.
Assim preenchidas, por cima, pelos deuses; por baixo, pelo Lobo; renascemos e recuperamos a posse sobre nós.
Nos inundem com este leite, nos consagrem com a seiva e nós não cessaremos o rito, espalharemos o louvor dos deuses, fazendo amor repetidamente por todo este mundo.
Hino do Lobo aos deuses
Soberanos dos mistérios! De quem recebi feliz missão da guarda e entrega da lei.
Dotaram-me da força, do vigor e plenitude, necessários para sagrar a vida.
Tendo vosso apoio, eu sirvo o palo, testemunha firme e durável da lei.
Ainda que siga solitário, vivendo na sombra e rejeição devido ao temor dos demais, pelo meu excesso de vontade e extrema paixão na forma, continuo com meus votos para, pelo meio das donzelas, abrir o entendimento e preencher o conhecimento.

Ritos do Prazer - Segunda sagração

Hino do plantio e da paternidade
No ventre da Grande Mãe está a dádiva dos deuses.
Tal como cuidamos e vigiamos o ventre crescente das vestais, regamos e carpimos o campo.
Para que não se perca a colheita, tomando o exemplo dos deuses, somos ciumentos e zelosos, orgulhosos de nossa prole.
Eis a boa e excelente paternidade, não negamos nossa descendência.
Seja riscado da comunidade, qualquer homem ou deus, que condene o fruto da união ou persiga o rito da consumação.
Que a ninguém seja concedido, tornar impuro o que é consagrado.
Consagradas estão as vestais, como consagrada é a Grande Mãe.
Porque sagrada é a junção, de homem com mulher, do deus com a deusa.
Pois o fruto é a vida e a vida continua no amor.
Hino das descendências aos antepassados
Aqui estamos, guardados, protegidos pelo corpo sagrado, crescendo, germinando.
Nós somos a seqüência, a esperança da descendência, de uma longa e feliz linhagem.
Agora dependemos de cuidados, temos muito que aprender.
Para nos tornarmos completos, maduros, felizes, ensine a mãe ao filho como tocar uma mulher; ensine o pai à filha, como resistir e ceder.
Tendo cuidado de nossa infância, não cobiçaremos, dividiremos; não roubaremos, repartiremos; não violentaremos, compartilharemos, assim a lei é mantida e o ciclo continua.
Hino dos antepassados às descendências
Bendita seja a renovação! Que venham as brisas da mudança, que vicejem os brotos da ousadia.
Bendita fúria sagrada, venham os jovens e sua revolução, para que se aplique a evolução. Conquistem seu espaço e lembrem que nós também tivemos nosso tempo e muitos mais antes. Que não nos abandone na velhice, como nós não lhes faltamos na infância.
Da mesma forma que recebem e aprimoram tão antiga herança, reavivem em nós a graça da nova experiência e refresquem nossos sentidos. Vocês tem o frescor e a ansiedade, nós temos a técnica e a paciência.
No templo sagrado, não há sentido a idade, nem tem lugar a consangüinidade, somos todos um e o mesmo. A regra é o amor, a união é a forma, o prazer é tudo.
Hino dos deuses aos pais e filhos
Em espirito, somos criados; em carne, somos nascidos. Nem a carne pesa ao espirito, nem o espirito oprime a carne.
Não existe separação ou rejeição, dos deuses vem o exemplo, que o sagrado é a convivência e a lei é o amor.
A idade não concede precedência, nem implica obediência, laços consangüíneos perdem contra os laços da união.
A posição pouco importa nesse esporte sagrado.
Que se una sem restrições o novo e o velho; o esquerdo e o direito; o sombrio e luminoso; o humano e o divino.

Ritos do Prazer - Primeira sagração

Hino das vestais aos deuses
Acabou a estação de estio, o gelo derrete, vem a névoa e o orvalho.

No solo, as sementes aguardam, sobem os vapores, juntam-se as nuvens.
Os deuses preparam a chuva, venham e propiciem a fertilidade!
Venham sobre nós, façam de nossos corpos o terreno arado e pronto.
Venham em nossos sulcos e derramem dentro de nós o néctar vitalizante, que despertará as sementes do torpor, para que todos aproveitem a safra.
Mostre a divindade pela verga, prove a autoridade pela soma.
Hino das vestais aos campineiros
Vinde, obreiros da colheita!

Vede que os deuses não demoram, cedo vem as nuvens e os campos devem estar prontos.
Tragam as enxadas e firmem os moirões.

Removam as pedras do passado e as raízes do remorso.
Não podemos atender aos deuses, nem honrá-los com nossos serviços sem sua vigorosa ajuda.

Abram nossos véus sagrados e depositem sua força em nosso templo.
Façam com seus corpos musculosos a sagração de nossos veios, amaciem e preparem nossas carnes, para receber a dádiva divina.
Hino dos campesinos às vestais
Formosas damas, eis-nos!

Nunca fugimos às obrigações, mal nos chamaste e nossos membros já atendem.
Somos homens rústicos, simples e brutos. Não possuímos riquezas, senão nossas mãos, nem temos nobreza, senão nosso trabalho.
Ainda assim nos recebe, o templo sagrado se abre, nos revelando segredos e mistérios que são negados a reis.
Recompensados com tal honra, oferecemos em profusão dessa seiva que seus corpos pedem em sagrado frenesi.
Hino dos deuses aos devotos
Eia, fruto de nossos amores!

Nós viemos de longas distâncias, escutamos o chamado da carne e nos preparamos para nutrir este mundo.
Eis a verdade, o que está embaixo é igual ao que está em cima.
Benditas são as vestais, que com seus véus dançam, chamando para si os campesinos, para que esta festa na terra se reflita no firmamento.
Assim se juntam as nuvens e nelas derramamos o sagrado néctar. Enchei os ventres das vestais com sua virilidade, campesinos, para que, do mesmo modo, derramemos a nossa seiva no ventre da Grande Mãe.
A ninguém seja permitido separar e discriminar a vida. Material e mundana, é a mesma vida, espiritual e sagrada.
Hino de gratidão dos devotos aos deuses
Grandes e respeitáveis deuses!

Aos que reconhecem a paternidade e não fogem da responsabilidade, nós agradecemos a propiciação!
Manifestada seja a lei, amor e irmandade.
Somos espirituais e carnais, como vós são carnais e espirituais.
Tal como vieram à Grande Mãe, vem os homens às mulheres.
Tal como à dádiva do amor não se impõe regra ou forma, nos unimos ao festim, para que o espirito se torne carne e a carne desperte sua alma.
Não pode haver separação, são uma e mesma essência. Portanto venham em nosso meio na próxima temporada, enquanto continuamos a seguir o ciclo sagrado e eterno.

Ritos do prazer - Abertura

A celebração dos deuses
De todas as partes da eternidade vem todos os deuses e deusas até os Elísios fazer Assembléia, cada qual seguido pelos devotos e caravanas de criaturas.
Começa a grande congregação entre deuses, criaturas e homens.
Os deuses oferecem como exemplo o espetáculo do ecumenismo carnal.
Enfim se pode Amar, conhecer e manifestar tal maior e máxima lei.
Todos os corpos, dançando, se encontram.
O Cordeiro afaga o Leão, acabou a fúria da homofobia.
As ovelhas virgens se oferecem, despudoradas, ao velho lobo sombrio, acabou a hipocrisia da pedofilia.
As pombas pulam entre os ninhos, experimentando muitas uniões, acabou a falsidade do adultério.
O Exú Trovador pode aplicar sua pena a contar os atributos de Fátima, cuja carne não conhecia tão prodigioso pincel.
Pela força do Amor, pelo poder da Paixão, baixam-se os estandartes, depõe-se as armas. Dissolvem-se os exércitos entre anjos e demônios, acabaram as diferenças e rivalidades, trocam a insípida questão religiosa, por uma bela competição lúgrube.
Cessam as predicas fanáticas dos sacerdotes farabundos com um bom boquete.
Este pobre mendicante das letras vitorioso, assiste sentado a cena no colo daquela deusa, a quem roubou a sabedoria, donde registra aos sucessores todos os louvores do êxtase.
Sob o perdão destes herdeiros pela letra tremula e falta de esmero, posto a dificuldade em por a termo o que é interminável, em descrever o que é indescritível, ainda tendo as mãos ocupadas.

sábado, 9 de maio de 2009

Apostolado profano - VII

Como este pecado foi assim definido pelo julgamento deste deus contra um erro do homem, só percebido ao ter sido verificado o fato (como já foi considerado) como pode este homem tê-lo cometido sem ter noção de tal justiça e da pena que incorria em cometê-lo? Ele já tinha noção, sem dúvida e o que o levou a cometê-lo é porque sua noção pessoal assim decidiu, porque em sua própria consciência isso não era pecado, a princípio!
Só assim pode ser compreendido tal fato, este deus não era tão poderoso nem tão senhor do homem. Este, apesar de ter sido criado pelo primeiro, já tinha uma consciência própria e anterior ao fato o que estranhamente é a negação do princípio dogmático que o homem conheceu a consciência após o fato, de que o homem era criatura deste deus e dele recebera as primeiras noções e a este deus deveria servir e seguir estas noções, assim como a consciência deste deus (ou sua justiça, a seu gosto). E que o princípio do pecado só se tornou real quando este deus puniu-o por julgamento deste, um ato que para o homem era natural e instintivo, causado e assumido por sua consciência pessoal e individual, distinta e desvinculada do seu Criador (o que, pela lógica, é impossível ou improvável, sem que levemos a considerar as causas e conseqüências necessárias a tal, como já o descrevemos).
Este deus, sem dúvida, deve ter sido um ser e Senhor do homem, dono de uma consciência e de uma justiça que, por elas, condenou o homem. O homem, sem dúvida, acreditou ser este deus seu Criador porque assim lhe ensinaram mas apesar disso já tinha noções e consciências próprias e desvinculadas do seu Senhor que o era então, apenas fisicamente, não espiritualmente como querem os dogmas e as religiões.
Não existe qualquer outra consideração a ser feita a respeito que possa ter mais razão e lógica que esta, embora sendo antidogmática e contrária a idéia que se subtende numa relação entre deus e homem, que por hora se requereu tão necessária ao passar dos anos e da evolução dessa mesma humanidade sem a qual teríamos sérios problemas existenciais.
Mas creio que já amadurecemos bastante e já está na hora de renegar este passado e consciência estranha à nossa condição e realidade. Pois, retomando a questão, não somos culpados de pecado algum nem somos tanto assim servos deste ser que se nomeou deus e que pela ideologia dele (não a nossa) nos culpamos e cumprimos uma pena por uma justiça baseada nessa ideologia alienígena, estranha e imposta ao homem.
Tomamos o fruto e erramos para ele mas para nós não foi erro senão nem teríamos feito. Foi um ato natural e até consciente de nossa parte, não existe outra explicação, sendo assim, dessas considerações só resta mesmo as conclusões já alinhadas, mais nenhuma outra. Só como última consideração devemos por conseqüência a essas conclusões, não mais dever satisfações aos sacerdotes, representantes desta estranha justiça e ser megalômano assim como desprezar seus cultos, conselhos e moralismos já que estão baseados em falsos dogmas de um falso deus, de uma falsa religião.