sábado, 9 de maio de 2009

Apostolado profano - V

Meus princípios impedem-me de aceitar tanto, minha dama despudorada, eis que sou somente o escritor do profano, não um ministro ou o próprio senhor deste e são a eles que deve oferecer seu louvor e veneração. Vou lhes apresentar, assim que você souber por que e no quê são melhores e maiores que o Deus da Igreja e o Cristo, que sejam vencidos estes e vitoriosas as Trevas!
Não te estranhes quando te digo, Deus não foi mais divino que tu ou até eu mesmo. Foi tão real e vivo como nós o somos. Aquele, que dizia ser seu filho, foi um bastardo, nascido de uma fecundação ilegítima, por inseminação artificial e não foi sem merecimento que foi julgado. A ele foi dado exatamente o objeto de seu prazer criptomasoquista, que foi a crucificação.
Esta que se instituiu, como a religião verdadeira, ganhando por sobre as outras, por métodos nem sempre piedosos e conclamou-se como Igreja Católica Apostólica Romana, não é senão um antro de celerados que, a exemplo de seu mestre, martiriza quem diverge da filosofia que conclamam como divina. Como se, esse ao se tornar mártir, lhe dessem a autorização de martirizar as pessoas.
As pobres mulheres, que negam sua condição primeira, servindo a este bastardo e sua Igreja como beatas, freiras ou sórores, o fazem por uma razão muito sublime. Tendo suas funções naturais, espontâneas e legítimas proibidas pela filosofia doentia do catolicismo, não é espantoso que prestem seu amor a ele desta forma, pois veja bem: está esticado em vigas de madeira dura e na imagem nua, quase se pode ver o que deveria ser seu divino membro (embora duvide que tenha tido). A própria imagem é de madeira rija. Ora, pau por pau, na ignorância de conhecer aquele que contém a carne e a carga necessária, para os afazeres divinos e sagrados que somos praticantes, serve-lhes muito bem este, castrado e estéril, indiferente.
Quando o desejo já supera os limites do recato, muitas sabem como engolir a hóstia e servirem-se de velas bentas para satisfazerem-se. Por isso é que se sente um perfume quando se acendem tais velas: é o perfume das vias (que faço sagradas em ti) excelentemente preenchidas pelas velas bentas. Agora tem a conta do porquê somos mais sagrados e santos que a Igreja e seus mártires?

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