sábado, 9 de maio de 2009

Cronologia dos desejos - II

Conforme iam se condensando, aumentava o vazio, o meio em que estavam permeadas. Assim, as marés cósmicas começaram a exercer uma pressão, enquanto que nas nuvens começava a aparecer o fenômeno da gravidade que, conforme concentrava mais as energias, as fazia expandirem-se, uma pequena e primal demonstração do que ocorre nos sóis.Nessa transformação de energia bruta em refinada, ou melhor dizer, luminosa, aumentava as necessidades de complementação, o que decerto ia trazendo mais componentes diversificados, mais complexidade à nuvem e dentro desta, na combinação ou fusão de seus elementos, originavam-se outros, alguns luminosos, outros pesados, ou seja, com magnetismo, que pode ser entendido por forca gravitacional. Assim aos poucos se formava um núcleo pesado e uma aura leve periférica, algo que é uma vaga origem das galáxias.Em pouco tempo, formavam-se os planetas e em ao menos um dentre doze desenvolve-se vida, que seguindo o padrão universal de evolução, chega-se às espécies atuais, dentre as quais originou-se a espécie humana, por enquanto a única que se registra como racional. O resto da historia conhecemos bem. Embora o mistério esteja longe de ser solucionado: como é que uma raça que tem tendências racionais pode acabar em tantas humilhações e atitudes, nem praticadas pela mais rele e insignificante forma de vida? Talvez seja exatamente este o paradoxo da humanidade: conquistou-se a racionalidade abrindo mão de uma verdadeira evolução existencial. Justamente por ser tão racional que o Homem é tão bestial. Pensa demais, mas não mede conseqüências. Quem o sabe, que responda, mas quem o quer saber? Desvendar os desejos que move o Homem, para que se saiba seu destino, pois seremos o que fazemos, conforme tais desejos, assumidos ou disfarçados, permitidos ou perseguidos.

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