sábado, 9 de maio de 2009

Lirios Sangrentos - V

Já que existe dissidência, é porque não são tão perfeitas as deidades e muito menos os homens, seus ideais e suas sociedades. Por que não se ouve, ainda que sejam minoria, pois resolvendo os problemas e desajustes destes, evita-se toda a conseqüência criminosa que realizam em busca de sobrevivência ou afirmação como seres vivos e merecedores de alguma atenção e cuidados.
Essa seria a função da organização humana enquanto sociedade, garantir a participação de todos os sócios. As deidades simplificariam bastante seu trabalho sem adversários, pois as atitudes tidas como pecaminosas ou viciosas são apenas formas de expressão de protesto e descontentamento, o que não lhes tira a legitimidade de, como atitudes de vontades conscientes, de serem proveitosas a essas deidades. O que temos na verdade não é a luta entre o Bem e o Mal, mas de conceitos e sentimentos que devem ser discutidos e vivenciados, pois são parte da personalidade de todo ser.
Não se pode condenar qualquer um que seja, por ter tomado medidas drásticas, mesmo o assassinato, pois nós não consentimos, muitas vezes de alguma forma até colaboramos, para a morte por frio, doença, fome, abandono ou violência contra crianças, homens, mulheres e velhos? Muitos não desejam tal destino, incomodados e inconformados, reagem contra quem acredita ser seu agressor, ou seja, a sociedade. Mas o defeito esta na organização e nos organizadores dela. Cabe a nós, como parte disto tudo, lhes exigir atitudes mais eficazes e eficientes que não simplesmente matar, surrar e prender, o que acaba agravando o problema, já que este surgiu por esses fatores. Basta dar acesso e orientar todos para serem indivíduos produtivos, receberem adequadamente para isso, para serem consumidores, para haver mercado, gerando mais riquezas,menos diferenças, miséria, mendigagem, criminalidade.
Então, nenhum ato pode ser considerado criminoso, pois todo ato tem um motivo e um objetivo claramente definível, caso não o seja, tem origens psicológicas, sendo assim, não é natural, foi conduzido a tal estado de demência pelo meio em que interagia.
Podemos imaginar o crime como uma forma da humanidade manter seus níveis populacionais, selecionando apenas os mais capacitados a viver na sociedade, já que o Homem é um dos animais no fim da cadeia alimentar, é até natural considerá-lo predador de todas as espécies, inclusive da própria. Para isso existem os crimes, puníveis ou imputáveis, pois a guerra é crime, mas os que sobrevivem são condecorados como heróis.
Mesmo em paz a sociedade sabe como separar, isolar, incapacitar e matar por fome, doença ou violência policial, coisas cujos verdadeiros culpados nunca serão levados a júri, simplesmente escolhe-se um individuo para pagar por toda uma situação causada pelo sistema.

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