sábado, 9 de maio de 2009

Lírios sangrentos - I

Ou conferências carnais sobre a materialidade humana, os objetivos das deidades e a justificativa de seus métodos.
Pois todo o futuro da humanidade está na corrupção da carne, do que sobra, entre vícios e virtudes, sirva-se de prazer a estas deidades que, não tendo a matéria para sentir, exigirão os sentimentos em essência de nós, para terem os prazeres que temos, mas tendo-os em nível espiritual.
Pois a eternidade é um ócio e um tédio, é preciso sentir a vida, esses nossos mortos e existentes sem existência, deidades e antepassados, tem necessidade de algo para distrairem-se e perceberem a própria presença por estas dores e exultações a que estamos expostos enquanto vivos.
Pois nos enganamos, acreditando que a presença na eternidade é melhor que esta na Terra, nos afundando e cercando de crenças, fornecidas pelas múltiplas deidades, cada uma em busca de mais simpatizantes, para aumentar seus pratos e diversificar mais a ceia.
Pois todo ser que é sem que o seja, alimenta-se da crença dos vivos, para que esses confiem a essas deidades o seu destino após a morte, na qual então tais deidades poderão digerir sem consumir o espírito dos crentes que se ofertam a eles, por uma vida após a morte, sem dor ou sofrimento, o que terão pelo preço da corrupção das carnes, mais o espírito, eternamente cedendo alimento, em troca de sua permanência junto a essas deidades. Se os prazeres destas deidades se decidem mais por experimentar virtudes ou vícios, não parece ser razão suficiente para distingui-las e separa-las entre o Bem ou o Mal. Os objetivos são os mesmos, embora a matéria prima seja diferente, assim como as sensações produzidas por estas. A Virtude, embora dependa de referenciais nem sempre confiáveis ou estáveis, é enobrecedora, ou melhor, os homens acham que isto os engrandece e os torna homens de bem, merecedores desta vida na eternidade, que resumem no Paraíso, quando o que terão é, na verdade, o que conhecemos aqui por relação simbiotica, uma troca entre codependentes que se auxiliam e alimentam-se mutuamente. Realmente, o que seriam de todas essas deidades se não houvesse tais homens, ou mesmo tal existência material, ou ate tal vida inteligente?

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