sábado, 9 de maio de 2009

Lírios sangrentos - II

Pois é de se notar que apenas a criatura humana tem tal capacidade de reconhecer e adotar comportamentos considerados agradáveis a tal deidade, por misteriosos meios de comunicação entre esses e o Homem, quer por escrituras, quer por outros homens que se dizem ter contato com esses. O que é lógico, pois incapacitados pelo seu estado, fazem-no através dos homens, para falar pela boca e pela língua de seus ouvintes e estes, para perpetuar a palavra, a registram nas linhas de um papel, e este livro também acaba tornando-se um testemunho dos desejos destas deidades aos homens, de como devem levar suas vidas, para merecer tal proteção e premio no final da etapa da vida.
Mas então se vê um paradoxo: tão poderosos e ainda assim como um Rei, depende de seus vassalos, para que assim o sejam, dependem da crença dos homens, em numero e qualidade, para reconhecer-se e fazer-se presente, tanto a si como aos demais, que competem entre si, pela conquista do mais alto grau de poder de domínio. O mais estranho: vai ser essa quantidade e qualidade de criaturas aos seus cuidados que lhes darão o poder necessário, pela forca de vontade destas.
Então degladiam-se as deidades em busca da preferência humana pela vontade que são dotados, a mesma vontade que nos tornam criaturas tão notáveis e capazes. Mas a partir do momento em que se deixa dominar por estes desígnios ou outros líderes temporais ou sagrados, corre-se o risco de se perder também a razão, tornando a vontade apenas uma forca de coação, agindo pela uniformidade, prisão e extermínio da diversidade. Pois homens lutam pelo domínio dos seus, da Natureza e de toda a Terra em busca de conforto, poder e riqueza ainda em vida, ou de perpetuarem sua memória, ou de perpetuarem a memória das deidades em que acreditam. Pois tão confiantes estão de que esta é a portadora da Verdade, acabam tornando-se serviçais, se não das deidades, de seus ideais, que na forma de organização humana, acaba sendo transformados em uma presença que podemos considerar semelhante à que exercem as deidades sobre os homens.é interessante notar que quaisquer desses dois captalizadores das paixões humanas acabam negando a base primaria de sua razão de ser: a matéria, à vontade e a humanidade.

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