sábado, 9 de maio de 2009

Lírios sangrentos - III

Enquanto as deidades exigem um comportamento moral, os ideais comandam os modos de ação da vontade humana. Um comportamento moral tenta regrar as atitudes humanas frente à Vida, negando ou tentando coibir essas práticas mais apegadas à matéria, o que cada deidade entende por vicio, em precedência e preferência a outros, que são dados por virtudes, embora ambos são e precisam ser realizados ainda em vida, vida essa cuja base é a matéria. Mesmo as virtudes não se manifestam, sem se concretizarem em atos ou obras que possam ser reconhecidas como tais. Já os ideais tentam regrar o comportamento do Homem frente ao Homem, dentro de uma Sociedade, a qual é organizada por Estados, estes são formados pelos ideais dos líderes da Sociedade, que garantiram a legitimidade da formação destes ideais, estados e Sociedades, pelo esforço da educação e civilização dos hábitos dos demais, através de anos de Historia, separando e perseguindo o que é definido, por estes ideais, como marginais e criminosos.
Muitos se tornam um elemento visado por não terem muitas escolhas diante da indiferença, total falta de orientação e oportunidades dentro destas sociedades, que são sempre privilegiadoras de um grupo, que contam com a garantia da forca física para coibir desvios e a coopção contemplativa desses ideais pela maioria dos componentes das sociedades, através da formação de uma legislação, via hegemonia ideológica, garantida pela educação.
É de se ver que tal lei e justiça só se mantém quando tem mais forca física que os que estão enquadrados na marginalidade e na criminalidade, tais definidos pelo que entende tais ideais, agregados nos homens e na sociedade, transformando-se numa presença de domínio e controle das ações humanas, tal como as deidades, negando sua matéria de formação, o ser humano, todo ele, cada um, ser vivo, formador de ideais e sociedades, mas que pela ação de um geral organizado, acaba sendo proibido de ter seus ideais fora do organizado socialmente, ou mesmo de ter sua participação nesta, apesar de ser sócio ao seu modo de participar nesta, ainda que limitadamente, por não preencher as exigências necessárias para tornar-se um líder social ou ate um cidadãos honesto, que são todos aqueles que seguem as leis e as condutas sociais organizadas e orientadas por estes líderes sociais.

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