sábado, 9 de maio de 2009

Lírios sangrentos - VII

Ao inverso, se se busca muito os vícios, eles perdem toda aquela carga de proibição, até diria pecado, pelo excesso de uso. Mesmo fontes de prazer se se tornam rotineiras, automatizadas, repetitivas, perdem o fascínio, porque agora é um objeto comum. Por ser comum, nem se nota mais quais os prazeres e necessidades que queremos satisfazer, o usamos porque se tornou um hábito, chega-se ao absurdo de o usarmos por instinto, o objeto chega a perder totalmente seu significado e passa a fazer parte do real, ainda que distante, no horizonte.
Não é sem motivo então que seja tão difícil deixar tais hábitos, nem tanto pelo prazer, que estes já não tem, mas sim por fazer parte do referencial do que se considera como realidade, parâmetro que os faz sentir parte deste real.
É então, por precisar de tais justificativas de se considerar inscrito no real, que os homens seguem tais determinações, vindas de seus líderes, ou vinda dos preceitos deixados por tantos profetas que se arrastam atrás das religiões deixadas pelas deidades que, para terem esse grau elevado sobre os mortais, devem sem dúvida estabelecer tais limites do real e do sobrenatural, assim como as regras de viver bem, para os homens merecerem tal local, ao findar o tempo material carnal destes homens. De qualquer forma, todos buscam seu tipo de prazer através das diversas formas de sensibilidade, isto sem dúvida é o que se verifica.
Eu sei que sou uma pessoa comum média e sustento os meus próprios engodos. Afinal, o pior radical contra o sistema é na verdade seu maior defensor. Sua razão de revolta se acaba assim que lhe for dado o que deseja, logo entrando no esquema e até irá defendê-lo. Mesmo o rebelde fornece justificativas ao sistema e sua crueldade, pois é justamente para manter a situação, que se age contra os revoltosos, justificando assim essa relação de exceção e privilégios de uma minoria sobre a maioria. Por mais que se mude de mãos os governos, ainda haverá insatisfação, mesmo que a oposição vença e seja social-democrata, a linha de Estado não deixa de existir e estes, que até tem boas intenções, acabam prisioneiros de sua presa. Não é sem motivo que nada muda efetivamente.

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