sábado, 9 de maio de 2009

Profeta do profano - II

A influencia da Arte no gênero humano fez-se sentir. Os sacerdotes iluminados, tomando isso como uma ameaça contra seu Deus, o seu poder e o seu templo de culto, começaram uma investida de infâmia, terror e assassinatos. Pela execução dos considerados infiéis, por julgamentos sumários e arbitrários, seja por confinamento ou por torturas atrozes. Em defesa dos seus atos e da sua Santa Cruzada, alegariam que se tratava de limpar o mundo das imundícies e do mal, algo aparente apenas aos olhos de censura destes. Chamavam, aos que praticavam a forma de duvidar e questionar dogmas de fé como arte, de bruxos. Estranhamente as mulheres foram as mais martirizadas, pois os sacerdotes, além de quererem satisfazer suas neuroses primitivas, queriam satisfação sexual. Mas como não podiam, por causa do celibato, então projetavam ao fogo, como consumação carnal dessas mulheres. Estes sacerdotes atingiam o clímax, diante de tanto poder fatal. Isso se repetiria, em outros tempos, com tantas outras religiões, que acham pregar o verdadeiro e único deus e que estão fazendo um favor à humanidade, exterminando esses pecadores. Estes sacerdotes fariam favor maior, se exterminassem a si mesmos.
Se um deus é tão fraco que necessita da crença dos homens e da força deles para vencer seus inimigos, então não é um deus verdadeiro. Se um homem utiliza um deus como desculpa aos seus assassinatos, então não é homem mas um animal da mais baixa forma de vida.
Não é para menos que as Trevas não tenha representantes, nem profetas, nem sacerdotes para falar em nome delas, muito menos obrigar o Homem a acreditar nelas. Os únicos com direito a cooperar, já foram eleitos e ocupam o Conselho das Trevas, o máximo que um homem pode fazer é seguir suas certezas, se estas forem razoáveis, se assim for seu desejo, terá seu lugar nas Trevas.
Os homens cercam-se de divindades e leis, ou para justificarem tudo que ocorre em sua volta, ou seus atos contra o mundo e seu semelhante. Quando, na verdade, isso é produzido pela sua cabeça. Deus não existe a não ser pelo Homem, o Homem é deus de si próprio, idealizado em virtudes e condutas que, para o homem comum, seriam difíceis de serem realizadas todo dia. Portanto fica mais fácil e cômodo atribuir ao seu ente divino, tais características e então, omitir-se de tais condutas e virtudes.
O mesmo ocorre nos pesadelos, malefícios e seres demoníacos, os homens os fazem de acordo com as coisas que assustam ou são condenáveis, são formados dos vícios e dos pecados. Estes são os demônios do Homem, que no fundo é ele mesmo. Isto é o seu desejo interior intimo que não apaga, que desacata leis, que nega as virtudes e as condutas exemplares, que contradiz a deus. Ou seja, se um homem tem certas condutas e pratica certas virtudes, é um homem santo e justo, por graça divina. Se, pelo contrário, comete crimes, abusos e destruição, é um homem possesso e maléfico, por obra demoníaca. O homem não é responsável, nem possui vontade própria, senão por desejos dos deuses ou demônios, estes criados por sua própria projeção. Como se o homem fosse um simples fantoche vazio, a espera de uma mão para mover seu corpo e uma cabeça externa para pensar por ele.
Portanto não é estranho então o Homem construir sociedades, leis, autoridades e governos aos milhares, visto que não tem vontade própria ou direcionamento, delega aos outros o poder, a responsabilidade e a paternidade. Consequentemente, fica submisso e conformado às vontades dos governantes, suportando a carestia e a repressão institucionalizada por estes.
Embora o que faz a Nação é seu povo e este é composto de cada um e de tudo homem, o povo ou parte dele é o primeiro a sofrer em nome da Nação ou do governo dela, já que estão intimamente ligados. Ser do Governo significa ser a Nação, ser todo o País, eles são os pais do povo, amantes e esposos da Nação. Cada vez mais o homem é castrado da vontade e da consciência, que são deixadas aos cuidados de instituições reacionárias, que são as melhores em castração e em servir de consciência alheia. Ainda bem que um dia o Homem se libertará ao perceber o ridículo da situação.
Não cabe a ninguém, senão à própria pessoa, descobrir o certo e o errado, baseado nas suas vivências, experiências e conclusões dela mesma. Esses são conselhos e considerações minhas, que cada um as avalie e de justiça a elas, visto que não sou conselheiro, nem sequer de mim mesmo.
Este é o Livro da Compreensão, melhor que o Livro do Esplendor, por que não ofusca a ninguém. Melhor que o Livro da Criação, porque o criador é o Homem. Melhor que a Sagrada Bíblia, este Livro da Compreensão é a alma da Sagrada Critica. Como o nome diz, o sagrado encontra-se em criticar, inclusive este texto e os dogmas de fé de toda religião. Por valorizar o Homem, sua mente, sua vontade, venerar sua alma, capaz de criar deuses, este livro deve encontrar uma boa receptividade e benção do raciocínio e da criatividade humana. Não determina os fins, oferece os meios. Continue cada leitor, em sua vida, a acrescentar e melhorar essa sabedoria, acrescentando algo mais em si, por si, em seu nome, honra e gloria, caro leitor.
Eu louvo o Universo e todas as formas de vida, da mais simples a mais complexa. Soube por bem o Universo fazer suas partículas construírem os seres e faze-los evoluir. Quanto maior era seu grau de evolução, mais distintos eram, como a segunda obra de um artista que supera a anterior. Usando outras combinações, formando outros órgãos, acrescentando elementos aos poucos nas criaturas, a partir da mais elementar. Enquanto mais distintos eram, mais frágil e arriscada era a vida dos seres, que logo precisavam unir-se os pares diferentes, para tornarem-se fortes e darem continuidade à espécie.
Os seres que, começavam a organizar grupos, também demonstravam um acréscimo de inteligência, para saberem como e de que forma poderiam sobreviver. Então, de tão distintos, logo seriam separados em macho e fêmea, seriam tão inteligentes, que sabiam que eram iguais e indispensáveis para unirem-se e gerar filhotes.
Então, os seres mais evoluídos iniciaram sua colonização pela terra, resultados das melhores obras do Universo, mais inteligentes e completamente distintos, a ponto que era impossível confundir o macho com a fêmea. Tão inteligentes, que pelo menos um dominaria a terra, pela inteligência e engenhosidade, não pela força. Todos os felinos, os répteis, os pássaros, os peixes, os símios, contavam com tribos formadas pelos seus descendentes mais evoluídos, capazes de raciocinar, produzir, armar-se e construir suas cidades.
Das tribos símias, originou-se a raça humana, que veio a dominar a terra sobre as outras. Embora não fossem os mais inteligentes e fortes, foram os únicos a sobreviver dentre as raças inteligentes, poucas outras sobreviveram. As raças que houve, o Homem as aniquilou, mas é provável que ainda existam escondidas, em algum local do planeta. Isso foi há tanto tempo, que nem temos conta. Só são achados os restos mortais de homens pré-históricos, nenhum outro de outra raça evoluída. Ou os homens antigos, propositadamente, ocultaram a existência dessas raças, cujos sinais estão presentes nas imagens divinas; ou estas outras raças inteligentes souberam como ocultarem os seus mortos e as suas existências.
Eu louvo toda forma feminina dos seres, mais ainda a mulher, a fêmea humana, por ser esta a mais bela, perfeita e sensual forma feminina existente. Feitas pelas essências mais refinadas do Universo, abençoadas com charme e elegância. Ser sagrado pelo seu sexo, pois o Universo criou a distinção de sexo para que haja evolução da vida e da inteligência. Por isso foi dado à mulher um templo, donde novas gerações terão origem e fará a humanidade uma raça inteligente, merecedora da preferência dada pelo Universo. Templo ao qual devemos sacramentar com a inebriante cópula e sacrificar, numa explosão, parte de nossa carne e energia. A mesma explosão que cria planetas, ocorre dentro do templo da mulher, escuro e profundo como a noite, poderoso e sagrado como o Universo.
Enquanto o homem é a loucura pelo poder e dominação, a mulher é a razão, a sabedoria do Reino e da soberania merecida. Por isso, é dada à mulher a propriedade, de gerar vida e de representar a morte. Sendo dado ao homem, a incumbência de causá-la, com suas guerras. Ao homem, as armas, para garantir sua liderança acima dos outros e da mulher. Ela, que lhe atribuem como portadora da morte, pelo pecado de Eva que, desarmada, vence milhões, pelos seus olhos e suas palavras. Mulher é motivo de matar, como também de exceder os limites do possível para ofertar algo a ela. Muitos ofertam sua fé, outros riquezas, alguns mais extremados, a vida. Ela, que ergue impérios, fortalece heróis, desafia igrejas, segue seus caminhos, um passo de cada vez, como um felino caminha na noite.

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