quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ritos do prazer - Abertura

A celebração dos deuses
De todas as partes da eternidade vem todos os deuses e deusas até os Elísios fazer Assembléia, cada qual seguido pelos devotos e caravanas de criaturas.
Começa a grande congregação entre deuses, criaturas e homens.
Os deuses oferecem como exemplo o espetáculo do ecumenismo carnal.
Enfim se pode Amar, conhecer e manifestar tal maior e máxima lei.
Todos os corpos, dançando, se encontram.
O Cordeiro afaga o Leão, acabou a fúria da homofobia.
As ovelhas virgens se oferecem, despudoradas, ao velho lobo sombrio, acabou a hipocrisia da pedofilia.
As pombas pulam entre os ninhos, experimentando muitas uniões, acabou a falsidade do adultério.
O Exú Trovador pode aplicar sua pena a contar os atributos de Fátima, cuja carne não conhecia tão prodigioso pincel.
Pela força do Amor, pelo poder da Paixão, baixam-se os estandartes, depõe-se as armas. Dissolvem-se os exércitos entre anjos e demônios, acabaram as diferenças e rivalidades, trocam a insípida questão religiosa, por uma bela competição lúgrube.
Cessam as predicas fanáticas dos sacerdotes farabundos com um bom boquete.
Este pobre mendicante das letras vitorioso, assiste sentado a cena no colo daquela deusa, a quem roubou a sabedoria, donde registra aos sucessores todos os louvores do êxtase.
Sob o perdão destes herdeiros pela letra tremula e falta de esmero, posto a dificuldade em por a termo o que é interminável, em descrever o que é indescritível, ainda tendo as mãos ocupadas.

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