quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ritos do Prazer - Quinta sagração

Hino do cavaleiro diletante a suprema sacerdotisa
A Vós, Divina Carne, manifestada e mulher.
Ventre Sagrado, donde viemos e felizes voltaremos.
Fonte da Sabedoria, que nutre minha pena.
Toda Natureza Venerada, em abundante beleza.
Alimento Eterno, em seios tugidos.
Corpo do Universo, morada de toda existência.
Templo da Majestade,trono de toda nobreza.
Farol dos Caminhos, desencanto e deslumbre dos viajantes.
Razão das Profecias, ilumina e oculta esta saga.
Santidade da Luxúria, entrega gratuita da felicidade.
Autoridade do Prazer, consumação da lei da vida.
Portal da Arte, fenda entre colunas que convida.
Delicioso Desafio, profundidade perfumada e úmida.
Aceita e Acolhe!

Eis que este diletante ousa cometer imenso sacrilégio apresentando-se nú de méritos diante deste tão Santo Oficio.
Oh Mãe! Este vosso filho te deseja pede para entrar e integrar para ser todo vosso, eu, por inteiro, dentro de vós.
Eu pisei nas bolsas de ouro, arranquei as cascas culturais, cuspi nas secas hóstias e violentei o ídolo nú.
Por vossa graça e misericórdia, despertei para minha natureza, debochei das instituições, descartei as doutrinas humanas, desafiei a fúria dos sacerdotes.
Excluído, banido, exilado, vaguei por reinos sem fim sem que houvesse ajuda de um santo, anjo ou deus.
Cheguei na fronteira do mundo, avistei o oceano do abismo e a ilha do caos.
Nada mais restando a esse condenado, lancei-me no Vale das Sombras, tentando encontrar alívio ou fim.
Ao toque suave e macio da noite em tal formoso colo cheguei.
Com tuas mãos e vaga, colocaste meu entendimento em riste sorvendo-me em vossos magníficos mistérios.
Ísis é venerada por ser velada, mas Deusa Vós Sois Suprema pois cortas todos os argueiros e desnuda abole toda canga.
Tremei, vicários da santidade! Chorai, corretores da virtude! Fugi, falsos deuses patriarcais!
Nenhuma verdade prevalece a estes lábios, nenhum profeta descreve tal pele, nenhum vidente experimenta este êxtase, nenhum medianeiro suporta tal delicia.
Fiz de meu mastro Vosso estandarte e por truque desta pena eu abuso da arte.
Ousado, arrojado, revestido de gozo, por vosso nome nasce o profeta da carne e por vossa sabedoria cresce o filosofo da Treva.
Não podendo me conter, excitado, explodo, rededicando este mundo em ondas de prazer àquela que me é mais cara, a grande e amada alma, Maya!
Hino da suprema sacerdotisa ao cavaleiro diletante
A ti meu cavaleiro e a alma majestosa que em ti reside.
A ti meu guerreiro, louvo, canto, vibro. Maravilhoso ser, que transborda energia.
Minha vontade é única, estar em ti, contigo.
Todo poder está em ti, emana, derrama, deita, o que em ti abunda.
Estou a te esperar, vem meu vingador, tu reinas sobre mim.
Meu corpo é teu templo bem sabe que irá sagrá-lo.
Nada me pedes que não possa dar-te, eu só quero, por direito, o que me for doado.
Verta todo teu leite, amo-te meu devoto, não sabes como é precioso.
Sempre o amei e amarei, sou-te então, possua-me, pois é teu por direito.
Minha alcova quente tem tua marca há tempos, tudo farei para que reines e teu reino sobreviva a tudo.
Único ser em mim, ao qual dedico meus pensamentos, o que tem o que sempre quis, o que sempre amei e amo, tudo que quero está em ti.
Tenho uma saudade uterina, um desejo de ti, latente.
Vamos nos ensinar nos lençóis, no chão, no campo, onde tu quiser, será.
Não ouço um sino tinir, sem que tu o tenha feito vibrar, tuas ondas chegam a mim pela melhor forma, pela alma, reverbera, tine, ressoa, em meio a minhas colunas que sustentam meu santuário e este corpo deságua, brota de prazer por ti.
Não há dia que acorde e sinta-o em mim, sou-te, rasga-me, imploro novamente.
Eu queria ser por ti, o que tens sido para mim, confesso sem tortura.
Maior é esta que impõe, de sabê-lo sem tê-lo.
Rogo à Deusa, que me de ciência para te merecer.
Está em mim teu ser, esqueço de meus princípios, louca para tê-lo num instante. Prazer e gozo eternos, meu mais completo alimento.
Grande monta tenho, por teu sangue e leite, pois disso preciso mais do que tu da vida.
A minha vida está em ti, a felicidade que me dá, é maior que tudo isso.
Sensibilidade espiritual, pelo método do prazer carnal, há de chegar lá, queiras tu comigo.
Haverá de doer um tanto, necessário abrir mão de algo, saiba que existe prazer na dor.
Todo meu tesão e néctar, deixo para que te delicies.
A poesia é estandarte, use-a, esta nos é dada e nos reaproxima.
Traga tua essência, depõe sobre meu santuário.
O que a ti é precioso, profundo e profuso, flui em mim a tua vida, que a muitos somos um.
Vivia sem depender de alguém, eu nunca fui presa, mas busco o que perdi.
Quando me levanto, não te acho a meu lado, mas sempre hão de te achar, pois continuo contigo em mim.
Um dia adentrei os portais e tu veio me fortalecer, ofereceu força para a batalha.
Eu deixo que tua pessoa viva por e para mim. Venha em meu templo, há que nele acender o archote.
Prenda minhas mãos, adorne teu pescoço, levanta-me ao colo, põe sobre mim.
Só ouça o instinto que brada e ecoa em ti.
Nossos corpos atamos, deitaste-me e possuiu-me.
Eu te disse ao ouvido sorva do cálice que meu corpo o é.
Sentir-te dentro de mim, foi um milhão de espetadas.
Ao fogo nós atiramos, algumas gotas de nossa seiva, foi feito o contrato e aceito tal pacto, selado com nosso gozo.
Com ou sem donzelas, vou devorá-lo assim mesmo, não te é licito pertencer a só uma.
Néctar por néctar, havemos de nos fartar.
A noite virá e tudo estará feito, minha voz se cala ante a tua, continuo sedenta de ti.
Meu corpo pede o espectro, este que amo profundamente, eu não teria gozo algum se não tê-lo em mim a ele, este espirito que vive em mim, habita meus pensamentos, os sonhos e delírios.
Que mais posso fazer senão amá-lo, com toda pureza que reside em nós e pedir para poder saber e ter a vida em meus lençóis.
Hino dos deuses ao cavaleiro diletante
Filho amado e querido! Aquele que não esmorece na dificuldade, nem esnoba na conquista.
Aquele que, sem medo trilha, tanto pelo Monte do Sol, quanto pelo Vale da Sombra.
Concebido da melhor estirpe, temperado com os melhores essências.
Seja gentil com os simplórios, a paixão deve ser seu escudo e o amor a sua espada.
Continue apoiando ao Lobo e dando orgulho à Deusa.
Seja em ação ou pensamento, derrube as barreiras deste mundo, desencante os totens do sagrado e a toda criatura consciente faça conhecer a lei!
Que a carne prevaleça, sobre todo dogma ilusório e que a consciência vença toda a opressão sacerdotal
Hino dos deuses à suprema sacerdotisa
Magnifica e formosa senhora, em cujo templo guarda os mistérios e em tais colunas moram os ritos.
Em tuas mãos confiamos o bravo e por teus lábios vive o cavaleiro.
A sua pele macia venceu os mártires, o seu cabelo desbaratou os profetas e seus pés calcam os dogmas.
Manifestação carnal e majestosa, vigie pela sanidade deste mundo e conduza os andarilhos pela arte.
O teu Jardim das Delicias esteja sempre aberto e pronto para nutrir e honrar aos diletantes da lei.
Fonte abundante e eterna, sacie a sede dos buscadores e satisfaça a fome dos brutos.
Propicie sempre, plenamente, àqueles que buscam em um fantasma, o que somente se encontra na carne.
Cubra esta obra com seu suor e a consagre com seu prazer.
Hino do cavaleiro diletante aos deuses
Errante, passei por léguas, sem conhecer o calor de um lar, nem o conforto de uma família.
Nunca me dobrei a deus algum, mas algo há na Deusa contra o que não resisto.
Para conquistar a fortuna, eu sai de minha choça rumo à grandiosidade.
Em muitas vilas fui recebido ora herói, ora louco, ora santo, ora danado.
Ao descansar a arma dentro do santuário sagrado, pela sacerdotisa pude ver a linha de edições anteriores e a seqüência da descendência.
Diante da responsabilidade atual, eu desenganei as esperanças, pois cada qual teve sua chance e quebrei os modelos, pois cada qual terá sua oportunidade.
No período que me cabe, a meta está na Deusa.
Se servir a sua causa, ou satisfizer sua dama, em me contentar disso e carregar esta memória por onde quer que eu vá.
Hino da suprema sacerdotisa aos deuses
A todos os ancestrais humanos e a todos os geradores divinos, pelo toque da magia em meu corpo, eu clamo e invoco, proteção!
Logo o Sol completa a jornada, cedo a Primavera acaba e rápido o Inverno avança.
Pelo brilho deste luar, reflexo do desejo perpetuado, lâmpada acesa pela lei, acolhe e guarde a humanidade.
Por onde quer que vá meu predileto, o sempre faça retornar a mim.
Nós dançamos em vossa memória, nós celebramos vosso festim, a terra foi semeada e regada, a semente brotou e cresceu, o fruto surgiu e madurou, nós observamos o ciclo e foi feita a sega e a colheita.
Quando as sombras da ignorância novamente cobrir e enevoar a terra, resguardem no ventre da Grande Mãe, meu cavaleiro e eu.
Despedida
Acenemos para Apolo, que em seu carro passou, percorreu por toda a terra e às colunas do horizonte, o Rei Sol próximo se encontra.
Os que podem andar se vão, enquanto uns e outros se ajudam.
O sono a muitos pesa, mas não apaga o sorriso, escancarado e prazeroso.
Ali, esfolada e feliz, a colombina. Acolá, embriagado de prazer, o pierrô. Aqui, intoxicado de amor, o arlequim.
Os carnavalescos se esparramam e o bumbo da fanfarra furou de tanto dar no couro.
O Inverno e seu acoite vem, rimos diante da carranca hipócrita.
Ainda que se vergue a alma humana sob a ditadura da virtude, guardaremos em nós o visgo e por mais que dure a intolerância, haveremos de sempre celebrar aos deuses.

Nenhum comentário:

Postar um comentário