quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ritos do Prazer - Segunda sagração

Hino do plantio e da paternidade
No ventre da Grande Mãe está a dádiva dos deuses.
Tal como cuidamos e vigiamos o ventre crescente das vestais, regamos e carpimos o campo.
Para que não se perca a colheita, tomando o exemplo dos deuses, somos ciumentos e zelosos, orgulhosos de nossa prole.
Eis a boa e excelente paternidade, não negamos nossa descendência.
Seja riscado da comunidade, qualquer homem ou deus, que condene o fruto da união ou persiga o rito da consumação.
Que a ninguém seja concedido, tornar impuro o que é consagrado.
Consagradas estão as vestais, como consagrada é a Grande Mãe.
Porque sagrada é a junção, de homem com mulher, do deus com a deusa.
Pois o fruto é a vida e a vida continua no amor.
Hino das descendências aos antepassados
Aqui estamos, guardados, protegidos pelo corpo sagrado, crescendo, germinando.
Nós somos a seqüência, a esperança da descendência, de uma longa e feliz linhagem.
Agora dependemos de cuidados, temos muito que aprender.
Para nos tornarmos completos, maduros, felizes, ensine a mãe ao filho como tocar uma mulher; ensine o pai à filha, como resistir e ceder.
Tendo cuidado de nossa infância, não cobiçaremos, dividiremos; não roubaremos, repartiremos; não violentaremos, compartilharemos, assim a lei é mantida e o ciclo continua.
Hino dos antepassados às descendências
Bendita seja a renovação! Que venham as brisas da mudança, que vicejem os brotos da ousadia.
Bendita fúria sagrada, venham os jovens e sua revolução, para que se aplique a evolução. Conquistem seu espaço e lembrem que nós também tivemos nosso tempo e muitos mais antes. Que não nos abandone na velhice, como nós não lhes faltamos na infância.
Da mesma forma que recebem e aprimoram tão antiga herança, reavivem em nós a graça da nova experiência e refresquem nossos sentidos. Vocês tem o frescor e a ansiedade, nós temos a técnica e a paciência.
No templo sagrado, não há sentido a idade, nem tem lugar a consangüinidade, somos todos um e o mesmo. A regra é o amor, a união é a forma, o prazer é tudo.
Hino dos deuses aos pais e filhos
Em espirito, somos criados; em carne, somos nascidos. Nem a carne pesa ao espirito, nem o espirito oprime a carne.
Não existe separação ou rejeição, dos deuses vem o exemplo, que o sagrado é a convivência e a lei é o amor.
A idade não concede precedência, nem implica obediência, laços consangüíneos perdem contra os laços da união.
A posição pouco importa nesse esporte sagrado.
Que se una sem restrições o novo e o velho; o esquerdo e o direito; o sombrio e luminoso; o humano e o divino.

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